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Diários Ordinários
de felipe | Terça, 19 de Fevereiro de 2008
De: Orlando Soares Silva
Parte dois.
Voltei. Na verdade já se passaram vários dias desde que achei essa sala com computadores e comecei a escrever. Comecei a escrever, vê se pode. Passei quase 30 anos sem escrever nem uma frase no papel de pão e agora tô aqui de bacana escrevendo num computador. A loira aqui do meu lado perguntou se era prô meu brogui. Brogui, nunca ouviu falar? Nem eu, mas dei uma risada, disse oh yes e percebi que depois dessas semanas todas internado nesse barco posando de bacana tô me sentindo como numa novela em que faço parte da parte dos ricos. Sempre reparei que nas novelas tem os ricos e os pobres que se encontram mas nunca se misturam de verdade tipo o rico casando com a pobre e se mudando prá casa dela. As vezes a pobre casa com o rico só prá ser esculhambada pelas amigas ricas e invejosas do cara e se der certo no final ela se vinga. Tinha também um filme com uma dessas gringas famosas, uma bem magra que nesse filme é uma puta e o cara se apaixona por ela. Lembro que ela rouba o fio dental do hotel e fica falando prás amigas que o trouxa é um cara super legal. Aí ela se faz de difícil, vê se pode, puta se fazendo de difícil e aí é que o troxa, um com uma cara bem de gringo otário, se apaixona de vez. O final eu não lembro mas também não lembro por que começei a escrever sobre isso então tudo bem.
Nesse barco é tipo um Big Broder gigante, sei lá como se escreve isso, e as vezes penso que tem alguém me filmando e aí vou ver tem mesmo um cara que filma as pessoas o tempo todo prá depois passar no telão do restaurante na hora do jantar.
Vou ter que confessar que paguei esse mico, de calção vermelho, barrigão mais vermelho ainda, meio briaco na beira da piscina e aí chegou esse cara da câmera e eu comecei a fazer umas caretas tipo engraçadinho sabe? Me ferrei, o cara começou o vídeo show dele outra noite com minha careta e toda vez que ela aparecia o pessoal ria, mas ria mesmo e a Neuza só me dando bicuda na canela por baixo da mesa. Acabei como o palhaço da noite. Fiz a diversão desse bando de desocupados que ri até de gaivota perdida no céu. Aí aparece um trouxa feito eu fazendo micagem, era só o que eles estavam esperando pra rir feito umas bestas.
O bom foi que a loira aqui do meu lado na sala de computadores também achou graça e hoje ela até puxou conversa mas ainda não conseguimos nos comunicar porque ela fala uma língua que parece que tá falando ao contrário e eu também não ajudo, começo a gaguejar em português mesmo e no final não sai nada. Ela me mostrou em um mapa de onde ela veio, ou melhor, esta voltando. É bem lá em cima do mapa e tem o melhor nome para um lugar bem longe: Finland. Descobri que land é terra em inglês, quer dizer, terra do fim. Terra do fim do mundo deve ser mas essa loira rindo aqui do meu lado não sei não. Já pensou ? Eu de caso com uma loira dessas. O problema é que não sei nem por onde começo o xaveco porque a gente só se olha e ri um prô outro e pensando bem é assim que deveria ser a vida: Todas as mulheres loiras de verdade e sempre sorridentes.
Nesse computador tem um dicionário de português e inglês, achei também um de inglês e finlandês porque preciso saber umas palavras para o meu curso intensivo de como transar com uma gringa loira sem ser jogado ao mar por uma mulata ciumenta.
Primeira palavra: sózinha. Em inglês é alone e em finlandês “ainoastaan”.
A próxima: Caraca, não sei qual a próxima coisa prá perguntar usando só uma palavra. Tinha que ser alguma coisa do tipo “vamos tomar um drink hoje depois do jantar?” mas como resumo tudo isso em uma palavra só? Drink? Em finlandês é “juoma”. Depois é after e jantar é dinner. Em finlândes é jalkeen e paivallinen. “Oi, você quer um drink after do dinner?”, depois dou aquele meu sorriso 7B, tento a versão finlândica “Hei sina juona jalkeen paivallinen?” com o mesmo sorriso e aí é só arrastar a gringa prô quarto dela. Amanhã conto as novidades aqui nesse meu brogui.
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